A temporada 2026 marca uma mudança histórica no futebol brasileiro. Pela primeira vez, o Campeonato Brasileiro da Série A será disputado ao longo de quase todo o ano, com início em janeiro, pausa para a Copa do Mundo e encerramento apenas em dezembro.
Além da alteração de calendário, o Brasileirão 2026 também será o primeiro a funcionar sob o novo Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF) — o “fair play financeiro brasileiro” — regulamentado pela CBF e apresentado oficialmente no documento divulgado no Summit CBF Academy, em novembro de 2025 .
A seguir, você entende como vai funcionar o Brasileirão 2026, as novas regras, o formato de disputa, como será o acesso e o rebaixamento, e de que forma o SSF vai impactar clubes da Série A.
Calendário do Brasileirão 2026: começa mais cedo e termina mais tarde
O Brasileirão 2026 terá um calendário muito mais extenso que o habitual:
Início: 28 de janeiro
Pausa: 1º de junho a 20 de julho (Copa do Mundo 2026)
Retomada: 21 de julho
Término: 2 de dezembro
Essa mudança foi criada para distribuir melhor as datas ao longo da temporada, evitar finais de ano com excesso de jogos e reduzir o desgaste dos atletas. Com o início antecipado, os clubes disputarão partidas do Brasileirão simultaneamente aos Estaduais, que terão apenas 11 datas e terminam até 8 de março.
Formato do Brasileirão 2026: o que muda na prática
O formato de pontos corridos não muda:
20 clubes
Todos enfrentando todos em 38 rodadas
Jogos de ida e volta
Três pontos por vitória e um por empate
No entanto, o impacto do novo calendário será sentido na organização interna dos clubes: a necessidade de elencos mais amplos, maior rotatividade e gestão de minutagem em meio a diversas competições simultâneas.
Acesso e rebaixamento no Brasileirão 2026
Apesar das mudanças gerais no calendário, as regras de acesso e rebaixamento não mudam para 2026:
Descem para a Série B: 4 clubes
Sobem da Série B: 4 clubes
Essa estrutura permanece estável para garantir previsibilidade esportiva e financeira às equipes.
Classificação para Libertadores e Sul-Americana
As vagas internacionais também se mantêm:
Libertadores 2027
Campeão do Brasileirão
Vice-campeão
3º e 4º colocados
Campeão da Copa do Brasil
5º e 6º colocados (dependendo do número de vagas brasileiras)
Copa Sul-Americana 2027
Times posicionados logo abaixo do G-6 ou G-7, dependendo das vagas disponíveis
O calendário de 2026 já foi estruturado para não conflitar com as datas da Conmebol, cuja fase preliminar começará em 18 de fevereiro.
Impacto do novo calendário: Brasileirão passa a conviver com mais competições
Em 2026, os clubes da Série A terão que lidar simultaneamente com:
Estaduais (janeiro a março)
Brasileirão (janeiro a dezembro)
Libertadores ou Sul-Americana (fevereiro a novembro)
Copa do Brasil, que terá final única em 6 de dezembro
Esse acúmulo exige equipes mais preparadas física e tecnicamente, com planejamento anual ajustado.
O papel do Fair Play Financeiro no Brasileirão 2026
O Brasileirão será diretamente afetado pela implantação do Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF), explicado nas páginas do material oficial da CBF .
O SSF está baseado em quatro pilares, cada um com impacto direto nos clubes da Série A:
1. Controle de dívidas em atraso
Fiscalização três vezes ao ano: 31/03, 31/07 e 30/11
Clubes não podem ter dívidas atrasadas com:
Jogadores
Funcionários
Outros clubes
Autoridades públicas
A partir de 2026, a publicação do contrato no BID só acontece se todas as obrigações estiverem registradas no novo sistema DTMS, conforme indicado na página 12 do documento.
2. Equilíbrio operacional
Os clubes da Série A devem:
Encerrar o ano com superávit operacional (receitas – despesas ≥ 0)
Se houver déficit, podem utilizar aportes de capital para cobrir o valor
No ciclo trienal, o limite de déficit da Série A é de R$ 30 milhões ou 2,5% da receita
Exclusões permitidas:
Base
Futebol feminino
Infraestrutura
Projetos sociais
Esportes olímpicos
3. Limite de gastos com elenco
A regra determina que os clubes da Série A podem gastar, em salários e amortização de atletas, no máximo:
70% das receitas + transferências + aportes
Até 2028, o limite terá período de transição. A partir de 2029, o teto definitivo será aplicado.
Isso tende a reduzir contratações acima da capacidade financeira e promove equilíbrio esportivo.
4. Controle do endividamento de curto prazo
Os clubes não poderão ultrapassar:
45% de dívida líquida de curto prazo sobre as receitas relevantes
Esse índice será implementado gradualmente até 2030.
Como o SSF afeta diretamente o Brasileirão 2026
O novo fair play cria um ambiente mais profissional, com impactos claros:
1. Clubes que não cumprem o SSF podem ser punidos
Segundo o documento (página 35) , as sanções incluem:
Multa
Retenção de receitas
Transfer ban
Dedução de pontos
Rebaixamento
Cassação de licença para disputar competições
Ou seja: o rebaixamento poderá ocorrer não só por desempenho esportivo, mas também por descumprimento das regras financeiras.
2. O campeonato deve se tornar mais equilibrado
Com limites de gastos e fiscalização centralizada pela ANRESF (página 38–39) :
Clubes deixam de assumir dívidas impagáveis
Folhas salariais tendem a se estabilizar
SAFs continuam permitidas, com liberdade para aportes
Contratações precisam respeitar o teto financeiro
3. Redução de atrasos salariais
Com controles trimestrais e denúncias permitidas diretamente ao órgão regulador (pág. 12) , atrasos podem gerar:
Transfer ban
Dedução de pontos
Isso pressiona por boa gestão.
Governança: quem fiscaliza o Brasileirão 2026
A nova agência criada pela CBF — ANRESF — é responsável por:
Monitorar clubes
Fiscalizar indicadores
Julgar irregularidades
Aplicar punições
Negociar acordos de ajustamento de conduta
A composição da ANRESF está descrita nas páginas 34–39 do documento.
Principais mudanças práticas que o torcedor vai notar
Brasileirão quase o ano inteiro
Mais jogos distribuídos, menos maratonas de fim de temporada.
Elencos mais regulados financeiramente
Contratações terão que caber no orçamento.
Rebaixamento pode ocorrer fora de campo
Descumprimento financeiro agora pesa tanto quanto pontuação.
Pausa longa para a Copa do Mundo
Quase 50 dias sem Brasileirão.
Convivência entre Estadual e Brasileirão no início da temporada
Times terão de dividir elencos e estratégias.
O Brasileirão 2026 inaugura uma nova era no futebol brasileiro
Com o novo calendário e o Fair Play Financeiro nacional, o Brasileirão 2026 será o campeonato mais regulado, extenso e estruturado da história da CBF.
A competição continua com o mesmo formato esportivo, mas agora inserida num ambiente de responsabilidade financeira, transparência e fiscalização contínua, fatores que devem mudar definitivamente o comportamento dos clubes da Série A — tanto dentro quanto fora de campo.
