Mais de um século de futebol, dezenas de títulos e uma galeria de goleadores que daria inveja a qualquer clube do continente. A história do Palmeiras é também a história de homens que encararam o gol como destino — e cumpriram esse destino com maestria. Alguns brilharam nas décadas em que o futebol ainda era jogado em campos de terra batida; outros fizeram a festa da torcida bem mais recentemente, nas noites iluminadas do Allianz Parque.
Neste artigo, você vai conhecer os maiores artilheiros do Palmeiras de todos os tempos. Separamos os dez nomes que mais balançaram as redes com a camisa alviverde, contextualizamos a era de cada um e ainda trazemos um capítulo especial sobre quem dominou o placar no século XXI. Prepara o coração, palmeirense — essa lista tem nomes que vão te fazer suspirar de saudade.
Quem é o maior artilheiro do Palmeiras de todos os tempos?

A resposta direta é: Heitor. Com 324 gols marcados com a camisa do Palmeiras entre 1916 e 1931, o centroavante ocupa o topo da lista de artilheiros alviverdes com uma vantagem que, mais de 90 anos depois, ainda não foi ameaçada de verdade. Uma marca construída num tempo em que o futebol brasileiro dava seus primeiros passos — o que torna o feito ainda mais impressionante.
Heitor não foi apenas o maior goleador do clube: foi um pioneiro. Ele se tornou o primeiro palmeirense a ser convocado para a Seleção Brasileira e o primeiro a marcar um gol com a camisa verde-amarela, escrevendo seu nome não só na história do Palestra Itália — como o clube era chamado à época — mas no próprio futebol nacional. Em 358 jogos disputados, ele anotou em média quase um gol por partida, uma eficiência que poucos atacantes conseguem sustentar ao longo de uma carreira inteira.
Para ter ideia do tamanho da marca de Heitor, o segundo colocado na lista histórica tem "apenas" 182 gols. Ou seja, a distância entre o primeiro e o segundo lugar é de 141 gols — quase uma carreira inteira de um bom artilheiro. Isso diz muito sobre quem foi Heitor para o Palmeiras.
Os 10 maiores artilheiros do Palmeiras na história
A lista dos maiores artilheiros do Palmeiras reúne jogadores de diferentes épocas, posições e estilos, mas todos com uma coisa em comum: a capacidade de decidir. São nomes que a torcida alviverde carrega com carinho na memória, mesmo quando já se passaram décadas desde o último gol. Confira cada um deles.
1. Heitor — 324 gols (1916–1931)
Heitor abriu o capítulo dos grandes goleadores palmeirenses numa época em que o futebol paulista era protagonista absoluto no Brasil. Centroavante clássico, forte fisicamente e com instinto natural para o gol, ele acumulou 323 gols em 358 partidas — números que impressionam tanto pelo volume quanto pela consistência ao longo de 15 temporadas com a mesma camisa.
Além dos gols, Heitor carregava um papel simbólico: representava o orgulho de uma comunidade italiana que tinha no futebol muito mais do que um esporte. Era identidade, era pertencimento. E ele respondia a essa responsabilidade da melhor forma possível — marcando, sempre marcando.
Nenhum atacante da história do Palmeiras chegou sequer perto de quebrar seu recorde. Isso o coloca em uma categoria à parte, não apenas na história do clube, mas no panteão do futebol brasileiro.
2. César Maluco — 182 gols (1967–1974)
O apelido já diz tudo: César Maluco jogava no limite, com uma intensidade que beirava o instinto puro. Em sete temporadas pelo Palmeiras, foram 182 gols em 327 partidas — uma cadência que deixava os goleiros adversários sem resposta e a torcida sem fôlego. No período mais glorioso do clube nos anos 1970, ele foi peça central.
Durante sua passagem pelo Alviverde, César Maluco conquistou sete títulos, incluindo o Torneio Roberto Gomes Pedrosa de 1967, quatro edições da Taça Brasil e dois Campeonatos Paulistas. Não era só artilheiro: era campeão. A combinação fez dele um dos maiores ídolos da história do Palmeiras.
O que diferenciava César Maluco de outros goleadores era a capacidade de aparecer nos momentos decisivos. Em finais, em jogos de pressão, em noites em que o Palmeiras precisava de alguém para resolver — era ele quem resolvia.
3. Ademir da Guia — 155 gols (1962–1977)
O "Divino" é uma categoria à parte no futebol brasileiro. Meia de criação com visão de jogo quase sobrenatural, Ademir da Guia fez 155 gols em 902 partidas pelo Palmeiras — um número que, isolado, pode parecer modesto para um atacante, mas que adquire outro peso quando se leva em conta que estamos falando de um meia e que ele jogou praticamente 15 anos no mesmo clube com uma regularidade impecável.
Ademir passou pelo Palmeiras entre 1962 e 1977 e conquistou 11 títulos com a camisa alviverde. Não foi artilheiro no sentido clássico, mas a frequência com que aparecia na lista de gols é o reflexo de um jogador completo, capaz de criar e de finalizar com igual qualidade.
Para a torcida palmeirense, "Divino" não é apenas um apelido: é uma descrição precisa. Assistir a Ademir da Guia jogar, segundo quem teve esse privilégio, era como ver o futebol em seu estado mais puro.
4. Lima — 149 gols (1930–1952)
Eduardo Lima, simplesmente "Lima", foi um dos jogadores mais talentosos e completos do Palmeiras nas décadas de 1930, 40 e início de 50. Com 149 gols em 467 partidas ao longo de mais de duas décadas de clube, ele atravessou gerações e se adaptou a diferentes estilos de jogo sem nunca perder a eficiência.
Lima esteve presente em momentos históricos do clube, incluindo a conquista da Copa Rio de 1951, torneio que reuniu os campeões nacionais de vários países e que o Palmeiras venceu de forma invicta. Sete títulos no total compõem o currículo de um jogador que também contribuiu enormemente com a identidade do Palmeiras em sua fase de consolidação.
Uma carreira de 22 anos no mesmo clube exige muito mais do que talento: exige comprometimento, adaptação e amor por aquela camisa. Lima tinha tudo isso.
5. Servílio — 139 gols (1963–1969)
Em apenas seis anos com a camisa palmeirense, Servílio deixou uma marca que muitos jogadores não conseguem em dez. Foram 139 gols em 292 jogos — média superior a 0,47 gols por partida, o que para um atacante de sua época representa um desempenho muito acima da média.
Forte no jogo aéreo e com porte físico privilegiado, Servílio era o tipo de centroavante que hoje se diria "moderno" para o padrão da época. Dominava a área, brigava com os zagueiros e finalizava com precisão. Entre 1963 e 1969, faturou cinco títulos pelo Alviverde.
O que impressiona em Servílio é a concentração de gols em tão pouco tempo. Enquanto outros jogadores desta lista construíram suas marcas ao longo de mais de uma década, Servílio chegou perto do top 5 em menos de uma centena de meses.
6. Rodrigues Tatu — 131 gols
Nas décadas de 1940 e 1950, Rodrigues Tatu foi um dos nomes mais temidos pelas defesas adversárias no futebol paulista. Com 131 gols marcados pela camisa alviverde, ele integra um seleto grupo de atacantes que ajudaram o Palmeiras a se firmar como um dos maiores clubes do Brasil naquele período.
Tatu jogava com velocidade e objetividade, características que o tornavam eficiente em diferentes situações de jogo. Suas contribuições goleadoras foram fundamentais para que o Palmeiras acumulasse títulos estaduais durante os anos em que dominou o futebol de São Paulo.
Hoje, Rodrigues Tatu é um nome que nem todos os torcedores mais jovens conhecem de cor, mas que qualquer pesquisador sério da história palmeirense encontra como peça indispensável do mosaico.
7. Humberto Tozzi — 127 gols
Humberto Tozzi marcou 127 gols pela camisa alviverde e foi figura de destaque no ataque palmeirense durante os anos 1950. Jogador de personalidade forte e bom senso posicional, ele soube aproveitar cada oportunidade dentro da área para contribuir com o clube em uma de suas fases mais produtivas.
Tozzi não chegou à lista dos dez maiores artilheiros do Palmeiras por acidente: foi construindo essa marca jogo a jogo, com constância e comprometimento. Em uma época em que o futebol exigia dos atacantes muito mais do que finalização — era preciso trabalhar na pressão, correr pelos lados, ajudar na marcação —, ele foi eficiente em todas as funções.
Seu nome pode não aparecer com tanta frequência nos livros de história do futebol brasileiro, mas está gravado com merecimento no álbum de goleadores do Palmeiras.
8. Evair — 126 gols
Evair é provavelmente o nome mais imediatamente reconhecível pela torcida palmeirense mais jovem entre os primeiros colocados desta lista. Centroavante clássico, ágil e de grande faro de gol, ele é parte inseparável da memória coletiva do bitetracampeonato brasileiro de 1993 e 1994 — dois títulos que o Palmeiras celebra até hoje com saudade.
Com 126 gols marcados pelo clube, Evair tinha a habilidade de aparecer sempre no momento certo. Décimo sexto segundo, jogo pegado, time precisando de solução — era ali que ele surgiam. Jogos decisivos pareciam combinar com seu estilo: rápido, instintivo e sem hesitação na hora de chutar.
Seu legado vai além dos números. Evair representa uma geração dourada do Palmeiras, e seu estilo de jogo ainda inspira a forma como a torcida alviverde celebra os centroavantes que passam pelo clube.
9. Luizinho — 122 gols
Luizinho integra um dos "empates" mais curiosos desta lista: ele e Tupãzinho têm exatamente o mesmo número de gols na nona posição. Com 122 gols marcados entre os anos 1950 e 1960, o atacante construiu uma carreira sólida como goleador alviverde num período em que o Palmeiras disputava posição entre os maiores do país.
Jogador versátil, Luizinho era capaz de atuar em diferentes posições do ataque, o que o tornava uma opção valiosa para os técnicos da época. Sua eficiência goleadora em mais de uma centena de jogos pelo Palestra demonstra um talento que resistiu ao teste do tempo dentro do próprio clube.
Na memória dos torcedores de mais idade, Luizinho é citado com carinho como um dos atacantes mais completos de sua geração — um nome que merece muito mais reconhecimento do que costuma receber.
10. Tupãzinho — 122 gols
Contemporâneo de Luizinho e igualmente com 122 gols pelo Palmeiras, Tupãzinho foi um dos principais artilheiros do clube nas décadas de 1940 e 1950. O atacante contribuiu de forma decisiva para que o Palmeiras acumulasse conquistas no Campeonato Paulista naquele período — o estadual era, à época, a grande vitrine do futebol brasileiro.
Tupãzinho possuía um estilo direto e agressivo dentro da área, típico dos centroavantes de sua geração. Não havia espaço para floreios: o objetivo era o gol, e ele encontrava o caminho com frequência suficiente para garantir seu lugar entre os dez maiores artilheiros da história do clube.
Dividir a nona posição com Luizinho diz muito sobre a qualidade de ambos. Em qualquer outra lista histórica do futebol brasileiro, 122 gols já seriam suficientes para uma menção honrosa. No Palmeiras, isso é apenas o começo da conversa.
Os maiores artilheiros do Palmeiras no século XXI
Se a lista histórica é dominada por nomes das décadas passadas, o século XXI produziu sua própria galeria de goleadores alviverdes — e o nome que se destaca com força é o de Raphael Veiga. O meia-atacante, peça central do Palmeiras campeão da Libertadores em 2020 e 2021, ultrapassou a marca de 100 gols pelo clube em 2024, superando figuras como Edmundo e se tornando o maior artilheiro do Alviverde no século atual.
O que torna a trajetória de Veiga ainda mais impressionante é o fato de ele ser um meia. Dentro de sistemas táticos modernos, que exigem mobilidade, pressão alta e contribuição em diferentes fases do jogo, acumular mais de uma centena de gols não é tarefa de atacante convencional — é marca de jogador completo. Seus gols de falta, em especial, se tornaram um cartão de visitas: um especialista na bola parada que transforma ameaça em certeza com regularidade invejável.
Além de Veiga, outros jogadores deixaram marca no Palmeiras do século XXI. Rony, atacante que integrou o elenco dos grandes títulos da era Abel Ferreira, também se destacou como goleador consistente. Nomes como Deyverson, com seu futebol raiz e instinto certeiro, e Endrick, o prodígio que revelou ao mundo quanto talento o clube sabe formar, completam um panorama de goleadores que já garante ao Palmeiras contemporâneo uma identidade goleadora bem definida.
O legado dos artilheiros alviverdes: de Heitor a Veiga
Os maiores artilheiros do Palmeiras não são apenas estatísticas. São capítulos de uma história que começou ainda nas primeiras décadas do futebol brasileiro e que continua sendo escrita em cada rodada do Campeonato Brasileiro, do Paulistão e da Libertadores. De Heitor, que atravessou os campos de São Paulo nos anos 1920 marcando como poucos, até Raphael Veiga, que equilibra criação e finalização com maestria no futebol moderno, todos esses jogadores carregam o mesmo DNA: o compromisso com o gol.
O que chama atenção na lista dos maiores artilheiros do Palmeiras é a diversidade de perfis. Centroavantes clássicos como Evair e Servílio, meias goleadores como Ademir da Guia e Raphael Veiga, atacantes de diferentes épocas e estilos — o clube sempre soube atrair e desenvolver jogadores capazes de balançar as redes com frequência. Isso não acontece por acaso: é reflexo de uma cultura vencedora construída ao longo de décadas.
Para a torcida alviverde, olhar para essa lista é como folhear um álbum de família. Cada nome carrega uma memória, um gol importante, um título conquistado. E a melhor parte? A história ainda não acabou. Enquanto o Palmeiras seguir em campo, novos capítulos serão escritos — e quem sabe qual atacante das próximas gerações vai se juntar a esse seleto grupo.
