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Maiores Artilheiros do Santos na História: o Ranking Completo
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Maiores Artilheiros do Santos na História: o Ranking Completo

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Falar dos maiores artilheiros do Santos é mergulhar em uma das histórias mais ricas e apaixonantes do futebol brasileiro e mundial. O Santos Futebol Clube, fundado em 1912, construiu ao longo das décadas uma tradição invejável na arte de marcar gols, reunindo jogadores que se tornaram lendas não apenas na Vila Belmiro, mas em todo o planeta. Da era dos pioneiros nas décadas de 1920 e 1930 até os ídolos modernos que vieram depois, o Peixe sempre soube como encontrar atacantes à altura da camisa.

Neste ranking, você vai conhecer os dez jogadores que mais vezes balançaram as redes com o alvinegro santista, com contexto histórico, números e o peso de cada trajetória na história do clube. Se você quer entender por que o Santos é um dos clubes mais respeitados do futebol sul-americano, a resposta começa aqui, nessa lista de artilheiros que falam por si.

Quem é o maior artilheiro do Santos de todos os tempos?

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Não existe discussão possível: o maior artilheiro do Santos na história é Pelé, com 1.091 gols marcados pelo clube entre 1956 e 1974. O número é tão absurdo que chega a parecer ficção. Para colocar em perspectiva, o segundo colocado do ranking, Pepe, marcou 403 gols. Pelé fez quase o triplo do vice-líder da lista, e isso já diz tudo sobre a dimensão do que o Rei representou para o Peixe.

Edson Arantes do Nascimento chegou ao Santos aos 15 anos e imediatamente mostrou que algo extraordinário estava prestes a acontecer. Ao longo de quase duas décadas defendendo o clube praiano, ele conduziu o time a dois títulos do Campeonato Mundial de Clubes (1962 e 1963), dez Campeonatos Paulistas e duas Copas Libertadores da América. Cada conquista veio regada a muitos gols do Rei, em finais, em clássicos, em partidas que o tempo não consegue apagar.

O que torna a marca ainda mais impressionante é que estamos falando de uma época sem a rotatividade que o futebol moderno conhece. Pelé ficou no Santos porque amava o clube e porque o clube soube mantê-lo. Resultado: quase 20 anos de gols, títulos e magia pura na Vila Belmiro. Nenhum atacante chegou perto antes, e é muito difícil imaginar que alguém chegue depois.

Os 10 maiores artilheiros do Santos na história

O ranking completo dos maiores artilheiros do Santos reúne jogadores de épocas e estilos bem diferentes, mas com algo em comum: todos deixaram uma marca indelével na história do Peixe. Do início do século XX até os anos 2000, confira quem são eles e o que cada um representou para o clube.

1. Pelé: 1.091 gols

Pelé não era apenas o maior artilheiro do Santos. Era o maior artilheiro de qualquer seleção ou equipe da qual fizesse parte. Com o alvinegro, combinou uma visão de jogo excepcional com um faro de gol que parecia sobrenatural. Gols de cabeça, de pé direito, de pé esquerdo, de falta, de voleio. O Rei não tinha limitações e parecia inventar formas novas de marcar a cada partida.

Sua influência foi além das quatro linhas. Pelé transformou o Santos em um clube com projeção verdadeiramente global. O time viajava o mundo para amistosos e carregava o nome do clube praiano pelos cinco continentes. Há registros de que em muitos países o Santos era o único time brasileiro que as pessoas conheciam, e isso era obra do Rei.

Quando Pelé se aposentou em 1974, o Santos não ficou apenas sem seu maior artilheiro. Ficou sem sua identidade ofensiva construída ao longo de quase duas décadas. O impacto da ausência foi sentido durante anos. Isso mostra que 1.091 gols são apenas o número visível de uma contribuição que vai muito além da estatística.

2. Pepe: 403 gols

Se Pelé era o Rei, Pepe era o Canhão da Vila. Sebastião Laranjo de Menezes, o eterno Pepe, atuou pelo Santos entre 1954 e 1969 e se tornou o segundo maior artilheiro da história do clube com 403 gols. Um número que por si só já bastaria para eternizá-lo, mas que ganha ainda mais peso quando você percebe que ele conviveu e jogou junto com Pelé durante boa parte dessa trajetória.

Pepe era um centroavante clássico, poderoso e com forte presença na área. Seu chute era tão potente que o apelido "Canhão" não era exagero. Fez parte do glorioso time dos anos 1960, aquele que venceu o mundo duas vezes consecutivas e que ainda hoje é considerado um dos maiores clubes da história do futebol sul-americano.

A relação entre Pepe e os torcedores santistas sempre foi de afeto genuíno. Ele não era a estrela principal do elenco mais brilhante já montado pelo clube, mas era parte fundamental da engrenagem. Sem o Canhão da Vila, o Santos daquela época não teria chegado onde chegou. 403 gols são a prova concreta de uma parceria que o tempo não apagou.

3. Coutinho: 368 gols

José Macia, o Coutinho, completava o trio dos grandes artilheiros do Santos nos anos dourados do clube. Com 368 gols marcados entre 1956 e 1969, ele é o terceiro maior artilheiro da história alvinegra. Parceiro direto de Pelé e Pepe, Coutinho era conhecido pela elegância em campo e pela capacidade de criar situações de gol onde o adversário julgava que não havia nenhuma.

Seu estilo era diferente dos outros dois. Enquanto Pepe apostava na força, Coutinho valorizava a técnica e a inteligência de jogo. Sabia se posicionar, sabia encontrar espaços e sabia finalizar com precisão cirúrgica. Era o tipo de jogador que fazia o adversário olhar para um lado e sofrer o gol pelo outro, quase como um truque de ilusionismo com a bola.

A trinca Pelé, Pepe e Coutinho formou um dos ataques mais prolíficos da história do futebol brasileiro. Juntos, os três acumulam mais de 1.800 gols pelo Santos, um número que praticamente encerra qualquer debate sobre qual foi o melhor ataque da história do Peixe. Coutinho era a peça que completava esse quebra-cabeça ofensivo.

4. Toninho Guerreiro: 279 gols

Toninho Guerreiro chegou ao Santos nos anos 1960 e construiu uma carreira sólida que o colocou na quarta posição do ranking histórico de artilheiros do clube. Seus 279 gols foram marcados com consistência ao longo de uma trajetória que atravessou os anos dourados do futebol santista e se estendeu até a década de 1970, período de enorme riqueza técnica para o Peixe.

Não era fácil se destacar no mesmo time que Pelé, Pepe e Coutinho. A bola quase sempre passava pelas botas dos três, e o espaço para outros atacantes aparecerem era naturalmente reduzido. Mas Toninho encontrou seu lugar, soube aproveitar as oportunidades e construiu uma marca pessoal expressiva que merece muito mais reconhecimento do que costuma receber.

É o tipo de artilheiro que o tempo acaba esquecendo injustamente, mas que os números se encarregam de resgatar. Quarto maior artilheiro da história do Santos, com quase 280 gols, Toninho Guerreiro é prova de que, naquele clube daquela época, talentos extraordinários conviviam lado a lado.

5. Feitiço: 214 gols

Feitiço foi um dos primeiros grandes artilheiros da história do Santos. Atuando nas décadas de 1920 e 1930, muito antes dos títulos internacionais e da era Pelé, ele colocou o clube no mapa dos times que sabiam marcar gols com consistência. Seus 214 gols representam o legado de uma época em que o Santos ainda construía sua identidade como clube de futebol.

É interessante notar como jogadores de eras tão diferentes convivem no mesmo ranking. Feitiço marcou gols décadas antes de Pelé chegar à Vila Belmiro, mas ambos estão imortalizados na mesma lista histórica. Esse é um dos aspectos mais bonitos do futebol: a tradição se acumula e os números contam a história do clube ao longo das gerações, sem distinguir épocas.

A presença de Feitiço entre os maiores artilheiros do Santos mostra também que a vocação ofensiva do clube não começou com Pelé. Ela já estava lá, décadas antes, sendo construída por atacantes que poucos hoje lembram pelo nome, mas cujos gols estão gravados para sempre nos registros históricos.

6. Dorval: 194 gols

Dorval, com 194 gols, foi parte essencial do famoso ataque dos anos 1950 e 1960 ao lado de Pelé, Pepe e Coutinho. Ponta-direita veloz e habilidoso, ele não era um centroavante clássico, mas seu faro de gol era aguçado o suficiente para colocá-lo entre os maiores artilheiros da história do clube.

Sua importância para o Santos vai além dos gols. Dorval era o jogador que desequilibrava pela lateral, que criava os espaços para que os companheiros finalizassem. Quando ele próprio resolvia chutar, o goleiro adversário raramente tinha resposta. Combinava velocidade com técnica refinada, e essa mistura era letal contra qualquer defesa da época.

Faz parte do seleto grupo de jogadores que participaram das conquistas mundiais do Santos em 1962 e 1963. Nesse contexto, seus 194 gols são mais do que uma estatística: são a representação de uma contribuição que ajudou a colocar o Santos no patamar de um dos maiores clubes do planeta.

7. Araken Patusca: 184 gols

Araken Patusca representa uma geração de jogadores que ajudou a consolidar o Santos como uma potência do futebol paulista. Com 184 gols marcados pelo clube, ele divide a sétima posição do ranking histórico com Edu, outro grande ídolo da história alvinegra. Atuou principalmente nos anos 1960 e início dos 1970, período de enorme efervescência técnica para o Peixe.

Seu estilo era direto e eficiente. Não era o tipo de jogador que encantava apenas com dribles elaborados, mas que resolvia o jogo quando o time precisava de uma solução objetiva. No Santos de Pelé, esse perfil tinha valor especial, porque quando o Rei não estava em um de seus dias de gala, alguém precisava aparecer. Araken Patusca estava lá.

A marca de 184 gols pelo Santos é um número que poucos torcedores jovens conseguem associar ao nome, mas que a história registra com respeito. Cada gol desses foi marcado em jogos reais, contra adversários reais, em um clube que exigia qualidade acima da média para se manter relevante.

8. Edu: 184 gols

Edu Carlos Arthur Falcão, o Edu, foi um dos grandes ídolos do Santos nas décadas de 1960 e 1970. Seus 184 gols o colocam empatado com Araken Patusca na lista dos dez maiores artilheiros da história do clube. Além dos gols pelo Peixe, Edu também teve uma passagem marcante pela Seleção Brasileira, com quem foi campeão mundial no México em 1970.

Sua trajetória no Santos é marcada por regularidade e comprometimento. Edu não era o tipo de jogador que explodiu em uma temporada e sumiu na seguinte. Ele entregou gols ano após ano, construindo seu legado com constância. Isso é mais raro do que parece, especialmente em um clube que vivia sob a sombra do maior jogador de todos os tempos.

O fato de Edu ser campeão mundial tanto pelo Santos quanto pela Seleção Brasileira diz muito sobre o calibre do atleta. Ele sabia jogar em equipes de alto nível e contribuir de forma decisiva, seja no clube praiano ou com a amarelinha. Seus 184 gols pelo Santos são o retrato de uma carreira construída com talento e dedicação.

9. Pagão: 157 gols

Pagão foi um dos atacantes que ajudaram a fortalecer o Santos no período que antecedeu a era dourada do clube. Com 157 gols marcados, ele integra o seleto grupo dos dez maiores artilheiros da história do Peixe. Atuou nas décadas de 1950 e início dos 1960, convivendo com alguns dos maiores nomes que o clube já teve em campo.

Seu legado mostra como o Santos sempre contou com atacantes de alto nível em todas as épocas. Mesmo antes ou paralelamente à era Pelé, o clube nunca dependeu de um único nome para balançar as redes. Havia sempre um artilheiro pronto para aparecer quando a equipe precisava, e Pagão foi um deles por um bom período.

Os 157 gols de Pagão também refletem uma época em que os jogadores ficavam no mesmo clube por muito mais tempo. A fidelidade era quase uma regra, e isso naturalmente favorecia o acúmulo de gols. Naquele Santos, construir uma trajetória de mais de uma década no clube era algo comum entre os maiores talentos.

10. Neymar: 152 gols

Neymar é um dos maiores talentos da história do Santos e ocupa seu lugar entre os principais artilheiros do clube com 152 gols marcados. Revelado nas categorias de base do Peixe, ele rapidamente se tornou protagonista ainda muito jovem, chamando atenção pela habilidade, criatividade e poder de decisão em momentos importantes.

Sua primeira passagem, entre 2009 e 2013, foi marcada por títulos e atuações memoráveis, sendo o grande nome da conquista da Libertadores de 2011. Mais do que os gols, Neymar representou uma geração que resgatou o protagonismo do Santos no cenário continental, mantendo viva a tradição ofensiva do clube.

O retorno ao Santos em 2025 reforça ainda mais sua ligação com o clube e impacta diretamente sua posição no ranking de artilheiros. Em uma era em que ídolos raramente voltam, Neymar aumenta seus números e seu legado, consolidando-se não apenas como um craque revelado pelo Santos, mas como um dos maiores nomes da história do Peixe.

O quarteto mágico da Vila Belmiro

Entre os maiores artilheiros do Santos, quatro nomes se destacam por terem atuado juntos e formado o que muitos consideram o melhor ataque da história do futebol sul-americano. Pelé, Pepe, Coutinho e Dorval formaram o quarteto que encantou o mundo inteiro nos anos 1960 e que garantiu ao Peixe dois títulos mundiais consecutivos, em 1962 e 1963.

A engrenagem desse grupo era quase perfeita. Dorval criava pela direita com velocidade e habilidade, Coutinho articulava pelo meio com elegância e inteligência, Pepe abria espaço e finalizava com força descomunal, e Pelé fazia tudo ao mesmo tempo. O que tornava o quarteto tão especial era a complementaridade entre os quatro. Cada jogador tinha características que os outros não tinham, e juntos formavam um conjunto maior do que a soma das partes.

O Santos daquela época viajava o mundo fazendo amistosos e o quarteto mágico era o principal atrativo em qualquer cidade que o time visitasse. Multidões se reuniam para ver Pelé em ação, mas ficavam encantadas com o jogo coletivo que aquele time apresentava. O futebol santista daquela era era uma obra de arte, e o quarteto era o coração criativo de tudo.

Neymar, Robinho e Gabigol: os artilheiros modernos do Santos

O Santos não viveu apenas de glórias históricas. Nas últimas décadas, novos artilheiros surgiram para escrever capítulos modernos na história do clube. Neymar, Robinho e Gabigol são os nomes mais conhecidos dessa geração, e cada um deixou sua marca na artilharia do Peixe de formas distintas.

Neymar chegou às 152 redes com a camisa alvinegra, alcançando o décimo lugar no ranking histórico. Seu período no Santos foi de 2009 a 2013, e nesse intervalo curto de quatro anos ele acumulou gols, títulos (Copa do Brasil 2010 e Copa Libertadores 2011) e se tornou um dos maiores ídolos modernos da torcida santista. A quantidade de gols que ele marcou em tão pouco tempo mostra a dimensão do talento de quem viria a ser o melhor jogador brasileiro da sua geração. Pensar que, com mais alguns anos no clube, Neymar poderia ter chegado muito mais alto no ranking é um exercício que qualquer torcedor do Peixe conhece bem.

Robinho também tem seu lugar nessa história. O menino de Santos que virou estrela mundial retornou ao clube em diferentes momentos da carreira e acumulou uma quantidade expressiva de gols com a camisa alvinegra. Gabigol, por sua vez, passou pelo Santos em uma fase de afirmação e contribuiu com gols importantes. Esses nomes confirmam que a tradição de revelar e formar grandes atacantes é algo que o Santos carrega no DNA, independentemente da época.

Por que o Santos sempre produziu grandes artilheiros?

Há uma combinação de fatores que explica por que os maiores artilheiros do Santos deixaram marcas tão expressivas ao longo da história. O primeiro é geográfico: o clube praiano da Baixada Santista sempre teve acesso a jogadores talentosos do interior paulista, do litoral e das cidades vizinhas, formando um celeiro natural de talentos que outras franquias não tinham da mesma forma. A base do Santos é historicamente reconhecida como uma das mais competentes do Brasil.

O segundo fator é cultural. O Santos desenvolveu ao longo das décadas uma identidade de jogo ofensivo, de futebol bonito e com liberdade criativa para os atacantes. Nesse ambiente, jogadores como Pelé, Coutinho e Neymar puderam florescer sem as amarras táticas que outros clubes impunham aos seus atacantes. Um centroavante ou ponta com liberdade para criar tende naturalmente a marcar mais gols e a se desenvolver em alto nível.

O terceiro ponto é a continuidade. Pelé passou quase 20 anos no Santos. Pepe também ficou por mais de uma década. Coutinho, Dorval, Toninho Guerreiro: todos construíram trajetórias longas no mesmo clube. Quando um jogador permanece por tanto tempo, os gols se acumulam de forma natural e o vínculo com a camisa se fortalece. Essa combinação de talento, ambiente propício e lealdade ao clube explica por que o Santos é um dos maiores produtores de artilheiros da história do futebol brasileiro, e por que a lista dos maiores artilheiros do Santos é um dos documentos mais impressionantes que o nosso futebol tem a oferecer.

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