Diário do Futebol
Seleções que mais perderam finais de Copa do Mundo: o ranking completo
Voltar para História

Seleções que mais perderam finais de Copa do Mundo: o ranking completo

Matheus Bastos

|Atualizado |12 min de leitura

A Copa do Mundo já coroou campeões em 22 edições, mas, para cada taça erguida, sobrou um vice chorando no gramado. E algumas seleções fizeram disso quase um costume. Você sabe quais foram as seleções que mais perderam finais de Copa do Mundo na história do torneio?

Neste guia, reunimos o ranking completo das vice-campeãs mundiais, edição por edição, com adversários, placares e os bastidores de cada decisão. É a chance de revisitar derrotas que viraram lendas, gerações que não decolaram e quase-conquistas que pararam no último jogo.

O ranking das seleções que mais perderam finais de Copa do Mundo

Bola de futebol no gramado iluminado à noite cercada por minibandeiras de diversas seleções participantes da Copa do Mundo, incluindo Brasil, Argentina, Portugal, Inglaterra e outras, simbolizando os países que figuram no ranking das seleções que mais perderam finais de Copa do Mundo.

Ao longo das 22 edições disputadas até 2022, apenas dez seleções já carimbaram o passaporte de vice-campeãs mundiais. Algumas concentram a maior parte das decisões perdidas, e duas delas convivem com a marca de eternas finalistas. Veja o ranking:

Posição

Seleção

Vice-campeonatos

Anos das finais perdidas

Alemanha

4

1966, 1982, 1986, 2002

Argentina

3

1930, 1990, 2014

Holanda

3

1974, 1978, 2010

Brasil

2

1950, 1998

Itália

2

1970, 1994

França

2

2006, 2022

Hungria

2

1938, 1954

Tchecoslováquia

2

1934, 1962

Suécia

1

1958

Croácia

1

2018

A Alemanha lidera de forma isolada: foram quatro finais perdidas em oito decisões disputadas, o que diz muito sobre a constância de um país que também tem quatro títulos. Logo atrás, Argentina e Holanda aparecem empatadas com três vices cada, embora as duas trajetórias sejam completamente diferentes, como você vai ver a seguir.

Alemanha: 4 finais perdidas e o topo do ranking

Tetracampeã do mundo e finalista oito vezes, a Alemanha é, ao mesmo tempo, uma das maiores potências da Copa e a seleção que mais perdeu finais de Copa do Mundo. Cada um dos quatro vices alemães vem com uma história forte por trás.

1966: Inglaterra 4 x 2 Alemanha Ocidental

A primeira derrota em decisão veio em Wembley, diante de uma torcida inglesa lotando o estádio. A Alemanha Ocidental empatou no fim do tempo normal e levou o jogo para a prorrogação, mas viu Geoff Hurst marcar um hat-trick polêmico, com aquele gol que bateu no travessão e ainda divide opiniões.

O resultado deu à Inglaterra seu único título mundial e abriu o livro de finais perdidas pelos alemães. Pegou mal, é verdade, mas serviu de combustível para a geração que viria nos anos seguintes a transformar a equipe em referência mundial.

1982: Itália 3 x 1 Alemanha Ocidental

Na decisão jogada em Madri, a Alemanha de Karl-Heinz Rummenigge encarou uma Itália que parecia ressuscitar a cada partida do torneio. Paolo Rossi, artilheiro da Copa, abriu o placar, e Tardelli e Altobelli ampliaram. Breitner ainda descontou, mas o estrago já estava feito.

Foi uma final em que os italianos jogaram melhor do começo ao fim, e a Alemanha mal teve fôlego depois de dois jogos durííssimos nas fases anteriores. Ficou o gosto amargo, e a missão de tentar de novo logo na próxima Copa.

1986: Argentina 3 x 2 Alemanha Ocidental

No México, a final mais lembrada por causa de Diego Maradona reservou drama até o último minuto. A Argentina abriu 2 a 0, viu a Alemanha empatar com gols de Rummenigge e Völler, e ainda assim perdeu para Burruchaga, em assistência do camisa 10 nos minutos finais.

A Alemanha saiu de campo com a sensação de quem viu o título escapar entre os dedos. Aquela final entrou para a história como uma das mais emocionantes, e cravou Maradona no lugar de mito eterno do futebol mundial.

2002: Brasil 2 x 0 Alemanha

A última decisão perdida pelos alemães veio na final de Yokohama, contra o Brasil de Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho. O goleiro Oliver Kahn, eleito o melhor jogador da Copa, falhou no primeiro lance e viu o Fenômeno marcar duas vezes para encerrar o sonho alemão.

A Alemanha tinha feito uma campanha defensiva e disciplinada até ali, e chegou à final como zebra. Saiu derrotada, mas plantou a base da geração que voltaria a vencer o Mundial em 2014, com a goleada histórica de 7 a 1 sobre o próprio Brasil.

Argentina: 3 finais perdidas, sempre em decisões marcantes

A Argentina é tricampeã mundial, conquistou Copas em 1978, 1986 e 2022, mas também acumulou três vice-campeonatos. Cada uma das decisões perdidas pelos hermanos veio acompanhada de polêmica, drama ou herói adversário inesquecível.

1930: Uruguai 4 x 2 Argentina

A primeira final da história das Copas foi disputada em Montevidéu, na Copa do Mundo inaugural. Os argentinos chegaram embalados, abriram 2 a 1 antes do intervalo, mas viram o Uruguai virar com três gols na segunda etapa, levantando a taça em casa.

Foi o pontapé inicial da rivalidade rio-platense em decisões mundiais. A Argentina sairia de cena por décadas em finais, voltando ao palco principal só nos anos 70.

1990: Alemanha Ocidental 1 x 0 Argentina

A revanche do duelo de 1986 saiu na Itália, e dessa vez quem riu por último foram os alemães. Numa final truncada, marcada por duas expulsões argentinas e clima pesado, Andreas Brehme cobrou pênalti polêmico aos 40 minutos do segundo tempo e decretou o título alemão.

A Argentina de Maradona, lesionado e desgastado fisicamente, jogou abaixo do esperado. Foi uma das finais mais feias da história das Copas, mas pesou no currículo dos argentinos como vice doloroso.

2014: Alemanha 1 x 0 Argentina

No Maracanã, contra a mesma Alemanha de sempre, a Argentina de Lionel Messi viu o sonho do título escapar na prorrogação. Mario Götze marcou aos 113 minutos e calou o estádio que esperava ver Messi se aproximar do posto de Maradona.

Argentinos saíram do gramado com a impressão de que estiveram perto, criaram boas chances e até desperdiçaram uma com Higuaín cara a cara. Coube a Messi esperar mais oito anos, até o Catar, para finalmente subir ao topo do mundo.

Holanda: 3 finais perdidas e nenhum título conquistado

Aqui a história é outra. A Holanda é a maior vice-campeã que nunca conquistou uma Copa, e suas três finais perdidas são uma coleção de quase-tudo. Talento de sobra, momentos geniais e o azar de bater em adversários donos da casa em duas das três decisões.

1974: Alemanha Ocidental 2 x 1 Holanda

O Carrossel Holandês de Johan Cruyff entrou para a história como um dos times mais bonitos de jogar que o futebol já viu. A Holanda abriu o placar logo no minuto inicial da final, com Neeskens cobrando pênalti antes mesmo de os alemães encostarem na bola.

Mas a Alemanha virou ainda no primeiro tempo, com Breitner e Müller. A laranja mecânica saiu derrotada em Munique, e até hoje aquele jogo é lembrado como uma das maiores injustiças do esporte, ao menos na visão dos torcedores apaixonados.

1978: Argentina 3 x 1 Holanda

Quatro anos depois, sem Cruyff, a Holanda voltou à decisão. Dessa vez, encarou a Argentina em Buenos Aires, num clima carregado pela ditadura militar argentina e por suspeitas de favorecimento na arbitragem ao longo do torneio.

Mário Kempes brilhou na prorrogação, marcou duas vezes e decretou o primeiro título argentino. A Holanda saiu derrotada de novo, dessa vez com o detalhe cruel de chegar à final em duas Copas seguidas e não levantar nenhuma das taças.

2010: Espanha 1 x 0 Holanda

Trinta e dois anos depois, a Holanda de Sneijder e Robben encarou a Espanha em Joanesburgo. A final foi marcada por jogo duro dos holandeses, com 14 cartões amarelos e uma entrada brutal de De Jong em Xabi Alonso, que ficou para sempre no folclore das finais.

Iniesta marcou na prorrogação e deu à Espanha seu primeiro título mundial. Para a Holanda, restou o terceiro vice e o reforço da fama de potência que nunca conseguiu fechar a conta na maior das competições.

Brasil, Itália, França, Hungria e Tchecoslováquia: 2 finais perdidas cada

Taça dourada da Copa do Mundo posicionada sobre o gramado verde de um estádio de futebol vazio sob céu azul com nuvens, representando o troféu mais cobiçado pelas seleções que mais perderam finais de Copa do Mundo ao longo da história.

Cinco seleções dividem a quarta posição do ranking, com dois vices mundiais. As histórias variam: tem quem perdeu em casa, tem quem perdeu nos pênaltis e tem quem perdeu no Catar contra um Messi inspirado.

Brasil: 1950 e 1998

A primeira final perdida pelo Brasil é a mais lembrada do nosso futebol. Em pleno Maracanã, em 1950, a seleção precisava apenas de um empate contra o Uruguai, mas viu Ghiggia marcar e silenciar quase 200 mil torcedores no que ficou conhecido como Maracanazo.

Em 1998, na França, o Brasil também caiu na decisão, dessa vez por 3 a 0. A convulsão de Ronaldo horas antes da partida virou enigma histórico, e Zidane, com dois gols de cabeça, deu o primeiro título mundial aos donos da casa.

Itália: 1970 e 1994

A Itália perdeu duas finais, mas conquistou outras quatro Copas, então o saldo até que ajuda. Em 1970, no México, levou 4 a 1 do Brasil de Pelé, num dos times mais admirados de toda a história do esporte.

Já em 1994, nos Estados Unidos, a azzurra empatou em 0 a 0 com o Brasil e perdeu nos pênaltis, com o famoso isolado de Roberto Baggio. Foi uma das poucas finais decididas nas penalidades, e sela uma das imagens mais marcantes das Copas.

França: 2006 e 2022

A França tem dois títulos, mas também dois vices recentes. Em 2006, na Alemanha, parou na Itália na disputa de pênaltis após o famoso cabeçaço de Zidane em Materazzi, num dos finais mais inacreditáveis da história das decisões.

Em 2022, no Catar, a França viveu um drama ainda maior. Empatou em 3 a 3 com a Argentina depois de estar perdendo por 2 a 0, levou o jogo para os pênaltis, mas viu Messi finalmente erguer a taça que faltava na carreira.

Hungria: 1938 e 1954

A Hungria foi uma potência absoluta nos anos 50, e seu time mágico de Puskás é até hoje um dos mais admirados pelos historiadores do futebol. Mesmo assim, perdeu duas finais. A primeira em 1938, contra a Itália de Vittorio Pozzo, por 4 a 2.

A segunda final, em 1954, ficou para sempre marcada como o Milagre de Berna. Os húngaros estavam invictos havia quatro anos e abriram 2 a 0 contra a Alemanha Ocidental, mas viram os alemães virarem para 3 a 2 no segundo tempo.

Tchecoslováquia: 1934 e 1962

A Tchecoslováquia, que não existe mais como nação, perdeu duas finais antes da divisão entre República Tcheca e Eslováquia. A primeira foi em 1934, contra a Itália, por 2 a 1, com gol decisivo na prorrogação.

Em 1962, no Chile, voltou à decisão, mas pegou o Brasil bicampeão de Garrincha, Vavá, Amarildo e companhia. Perdeu por 3 a 1 e nunca mais voltou a uma final, nem como Tchecoslováquia, nem como qualquer um dos países que vieram depois.

Suécia e Croácia: as seleções com uma final perdida na história

Duas seleções aparecem na parte de baixo do ranking, com uma final perdida cada. São histórias bem diferentes, separadas por sessenta anos, mas igualmente importantes para o quadro completo das vice-campeãs mundiais.

A Suécia foi vice em 1958, em casa, contra o Brasil de Pelé, Garrincha e Didi. Perdeu por 5 a 2, no jogo em que o rei do futebol surgiu para o mundo aos 17 anos. A Croácia, por sua vez, chegou à final em 2018, na Rússia, e levou 4 a 2 da França de Mbappé.

Quais seleções nunca venceram uma Copa do Mundo após chegarem à final?

Esse recorte é mais raro do que parece. Apesar de tantas finais disputadas ao longo dos anos, só quatro seleções acumulam o feito triste de chegar à decisão sem nunca levantar a taça. Holanda, Tchecoslováquia, Hungria e Croácia formam esse grupo até hoje.

A Holanda é o caso mais simbólico, com três finais perdidas em momentos distintos. Tchecoslováquia e Hungria pertencem a uma era mais antiga do futebol, enquanto a Croácia é a única dessa lista a ter chegado à decisão neste século.

Curiosidades sobre as seleções que mais perderam finais de Copa do Mundo

Taça dourada da Copa do Mundo em destaque no gramado de um estádio lotado, com jogadores de uniforme verde enfileirados ao fundo em posição de cerimônia, ilustrando a disputa pelo título entre as seleções que mais perderam finais de Copa do Mundo na história do torneio.

A Alemanha tem uma estatística impressionante: das oito finais que disputou, perdeu quatro. É o país com mais decisões disputadas e também o que mais perdeu, o que mostra como uma seleção pode ser dominante e mesmo assim acumular cicatrizes. Curiosamente, ela já perdeu finais para cinco seleções diferentes ao longo dos anos.

Outra estatística marcante: das dez seleções que aparecem nesse ranking, apenas Holanda, Hungria, Tchecoslováquia e Croácia nunca venceram um Mundial. As outras seis já se vingaram com pelo menos um título no currículo. Para os fãs de futebol, é um dos rankings mais cruéis e mais charmosos da modalidade.

Outros conteúdos que você pode gostar

Perguntas frequentes sobre seleções que mais perderam finais de Copa do Mundo

A seguir, respondemos as dúvidas mais comuns sobre o ranking de vices da Copa do Mundo. São informações úteis para quem quer dominar o tema antes da próxima edição do torneio.

Qual é a seleção que mais perdeu finais de Copa do Mundo?

A Alemanha é a seleção que mais perdeu finais de Copa do Mundo, com quatro vice-campeonatos: 1966, 1982, 1986 e 2002. Mesmo sendo tetracampeã mundial, ela também é a finalista mais frequente, com oito decisões disputadas no total.

A Holanda já venceu alguma Copa do Mundo?

Não. A Holanda chegou a três finais (1974, 1978 e 2010) e perdeu todas, sendo a maior potência do futebol que nunca levantou a taça. Por isso, é frequentemente lembrada como a maior vice-campeã da história do torneio.

Quantas finais de Copa do Mundo o Brasil já perdeu?

O Brasil perdeu duas finais de Copa do Mundo: a primeira em 1950, contra o Uruguai, no Maracanazo, e a segunda em 1998, contra a França, em Saint-Denis. Apesar disso, segue como o maior vencedor do torneio, com cinco títulos.

Quem foi vice-campeão da Copa do Mundo de 2022?

A França foi vice da Copa do Mundo de 2022, perdendo a final para a Argentina de Messi nos pênaltis, depois de empate em 3 a 3 no tempo regulamentar e na prorrogação. Foi o segundo vice francês em três Copas, somado ao de 2006.

A Argentina perdeu mais finais do que ganhou?

Sim, considerando o histórico até 2022. A Argentina venceu três Copas (1978, 1986 e 2022) e perdeu três finais (1930, 1990 e 2014), o que deixa o saldo equilibrado, e é o que torna a seleção um dos casos mais dramáticos das decisões mundiais.

MB

Matheus Bastos

Compartilhe este bônus com seus amigos