A Itália chegou em 2026 carregando um peso enorme nas costas. Tetracampeã mundial, uma das seleções mais respeitadas da história do futebol, a Azzurra acaba de acumular sua terceira eliminação consecutiva nas eliminatórias da Copa do Mundo. A derrota para a Bósnia e Herzegovina nos pênaltis foi o estopim de uma crise que já durava mais de uma década.
Do caos institucional à renovação radical no elenco: o que está acontecendo com a seleção italiana em 2026 é uma das histórias mais intrigantes do futebol mundial neste momento.
Itália fora da Copa do Mundo de 2026: como aconteceu?
A eliminação da Itália na repescagem europeia para o Mundial de 2026 foi o resultado de um processo longo de decadência. Mas o golpe final veio no dia 31 de março, em Zenica, na Bósnia e Herzegovina.
A partida terminou empatada por 1 a 1 no tempo normal e na prorrogação. Moise Kean abriu o placar para os italianos logo no início, mas Haris Tabakovic empatou aos 79 minutos e levou a decisão para os pênaltis. Nas cobranças, a Bósnia foi implacável: 4 a 1 para os bósnios, e a Itália ficou fora da Copa mais uma vez.
A cronologia do fracasso italiano
A eliminação de 2026 não caiu do céu. Ela é o resultado de um ciclo ruim que começou há doze anos. A última participação da Azzurra em uma Copa do Mundo foi no Brasil, em 2014, quando a seleção caiu na fase de grupos, ficando atrás de Costa Rica e Uruguai.
Em 2018, a queda veio na repescagem contra a Suécia. O empate por 0 a 0 em Milão, após perder o jogo de ida por 1 a 0, decretou a ausência histórica na Copa da Rússia, encerrando uma sequência ininterrupta de participações que durava desde 1962. Em 2022, o roteiro se repetiu: eliminação na repescagem, desta vez para a Macedônia do Norte. Agora, em 2026, a Bósnia fechou o ciclo mais sombrio da história do futebol italiano.
A trajetória da Itália nas eliminatórias para a Copa 2026
Nas eliminatórias europeias para a Copa do Mundo 2026, a Itália ficou no Grupo I ao lado de Noruega, Moldávia, Israel e Estônia. Luciano Spalletti iniciou o ciclo, mas foi demitido em junho de 2025 após uma derrota por 3 a 0 em Oslo. Gennaro Gattuso assumiu o cargo e deu nova vida à equipe, acumulando vitórias e marcando 16 gols nos primeiros jogos sob seu comando.
A Azzurra terminou o grupo em segundo lugar, a seis pontos da Noruega, campeã da chave. O segundo lugar garantiu vaga na repescagem europeia, mas não a classificação direta. Na semifinal do playoff, a Itália superou a Irlanda do Norte com gols de Sandro Tonali e Moise Kean. Na final, porém, a Bósnia foi mais fria nos pênaltis.
Crise na FIGC: Gravina renuncia e Buffon deixa a seleção
A eliminação abriu uma crise institucional sem precedentes no futebol italiano. No dia 2 de abril, apenas dois dias após a derrota, o presidente da Federação Italiana de Futebol (FIGC), Gabriele Gravina, renunciou ao cargo. O dirigente, que estava no posto desde 2018, enfrentava uma pressão crescente de clubes, políticos e da imprensa italiana.
Gravina havia sido reeleito com 98% dos votos em 2025. Mas a terceira eliminação consecutiva fez com que o ministro do Esporte da Itália, Andrea Abodi, se posicionasse publicamente pela sua saída. Cerca de 40 senadores também pediram a renúncia do cartola. O cerco foi rápido e definitivo.
Gianluigi Buffon também sai de cena
Junto com Gravina, outra lenda italiana deixou o posto. Gianluigi Buffon, ídolo histórico da Azzurra e campeão mundial em 2006, pediu demissão da função de chefe de delegação da seleção. A saída de um dos maiores goleiros da história do futebol de um cargo administrativo simbolizou o tamanho do abalo que a eliminação causou em todos os setores do futebol italiano.
A eleição para escolher o novo presidente da FIGC está marcada para o dia 22 de junho, em Roma. O favorito é Giovanni Malagò, ex-presidente do Comitê Olímpico Italiano e um dos responsáveis pela organização dos Jogos de Inverno de 2026 em Milão-Cortina. Matteo Marani e Giancarlo Abete também aparecem como candidatos.
Impacto financeiro: 30 milhões de euros perdidos
Além do prejuízo esportivo e institucional, a ausência da Itália na Copa do Mundo tem peso econômico. Estimativas apontam que a FIGC pode perder cerca de 30 milhões de euros em receitas que seriam geradas pela participação da seleção no torneio. Cotas da FIFA, patrocínios e visibilidade comercial ficam de fora da conta da Federação italiana em 2026.
A conta é pesada para uma federação que já enfrenta dificuldades estruturais e que agora precisará reconstruir seu projeto esportivo e financeiro ao mesmo tempo.
Silvio Baldini assume e convoca a seleção mais jovem da história
Com Gattuso sem perspectiva de continuidade após a eliminação, Silvio Baldini assumiu interinamente o comando da seleção italiana. Baldini, que era técnico da sub-21 da Azzurra, aceitou o cargo com uma condição: queria convocar jovens. E foi exatamente o que fez.
A lista divulgada em 25 de maio para os amistosos contra Luxemburgo e Grécia é a mais jovem da história da seleção italiana, com média de idade de apenas 20 anos e seis meses. Uma quebra radical com o passado.
Quem foi convocado por Baldini?
Entre os convocados, estão quatro jogadores nascidos em 2008, três de 2006, sete de 2005 e nove de 2004. A maioria dos atletas terá a primeira experiência na seleção principal. Do ciclo anterior, apenas cinco jogadores permaneceram na lista.
Os remanescentes do grupo anterior são: o goleiro e capitão Gianluigi Donnarumma, atualmente no Manchester City; o zagueiro Pietro Comuzzo, da Fiorentina; o lateral Marco Palestra, da Atalanta emprestado ao Cagliari; o meio-campista Niccolò Pisilli, da Roma; e o atacante Francesco Pio Esposito, da Inter de Milão.
Entre as novidades, se destaca Cher Ndour, meio-campista da Fiorentina que já atuou por Benfica e Braga, além de outros jovens que atuam em grandes clubes europeus: Davide Bartesaghi (Milan), Honest Ahanor (Atalanta), Jeff Ekhator (Genoa), Luca Reggiani (Borussia Dortmund), Michael Kayode (Brentford) e Francesco Camarda (Milan/Lecce).
Outro nome que aparece é Samuele Inácio, filho do ex-jogador brasileiro Inácio Piá. Apesar de ter a possibilidade de defender a seleção do Brasil, ele optou pela Itália desde as categorias de base.
Donnarumma: o único elo com o passado
Em meio a toda a renovação, Gianluigi Donnarumma segue como capitão e o principal rosto da Azzurra. O goleiro, que ganhou o mundo com a camisa italiana ao ser eleito melhor jogador da Eurocopa 2020, está hoje no Manchester City e representa o único nome reconhecido internacionalmente na lista de Baldini.
Aos 27 anos, Donnarumma passa por uma transição difícil: é o atleta mais experiente de uma seleção em reconstrução, mas também carrega o símbolo de um ciclo que fracassou nas maiores apostas. Seu papel será equilibrar a inexperiência dos jovens convocados com a liderança dentro de campo.
O que esperar da Itália a partir de agora?
A Azzurra vai passar por um período longo de reconstrução. Com a eleição da nova diretoria da FIGC marcada para junho e um técnico interino no comando, a seleção não tem ainda uma rota clara definida. O próximo grande objetivo é a Copa do Mundo de 2030, mas o caminho inclui a Nations League, os estaduais europeus e a necessidade urgente de criar identidade com os jovens talentos.
A aposta nos jogadores sub-21 que já atuam em grandes ligas europeias indica que a federação enxerga nessa geração a saída da crise. O problema é que gerações jovens levam tempo. E a Itália, que não vai a uma Copa desde 2014, está sem esse luxo.
Perguntas frequentes
Quando foi a última vez que a Itália disputou uma Copa do Mundo?
Em 2014, no Brasil, quando caiu na fase de grupos atrás de Costa Rica e Uruguai.
Por que a Itália ficou fora da Copa do Mundo de 2026?
A seleção perdeu para a Bósnia e Herzegovina na final da repescagem europeia, nos pênaltis, pelo placar de 4 a 1 nas cobranças, após empate por 1 a 1 no tempo normal.
Quem é o técnico da seleção italiana atualmente?
Silvio Baldini, em caráter interino. Ele era o treinador da sub-21 e assumiu após o fim do ciclo de Gennaro Gattuso.
O que aconteceu com Gianluigi Buffon na seleção italiana?
Gianluigi Buffon atuava como chefe de delegação da seleção e pediu demissão após a eliminação na repescagem para a Copa de 2026.
Quando será eleito o novo presidente da FIGC?
A assembleia extraordinária para eleger o substituto de Gabriele Gravina está marcada para o dia 22 de junho, em Roma
